Alerta!
Há mais chagas e feridas abertas do que podemos imaginar. Em
qualquer roda de conversa, logo o assunto vem soar. Nos caminhos por aí conheci
uma pessoa muito sofrida, que há muitos anos carrega nos ombros o peso do
mundo. O marido fez a escolha pelo suicídio, desde então tenta curar a ferida
que não quer cicatrizar, quando menos se espera volta a sangrar. Refletindo
sobre a dor dela então escrevi...
Juntando os pedaços
A tristeza profunda
Leva a viver no limbo,
No lado obscuro
Do território da mente.
Vive-se ali no limbo
De migalhas alheias.
No esconderijo
Cria-se barreiras
Intransponíveis
Para quem vive ao lado.
A solidão é uma escolha pessoal,
A opção pelo fim também.
No entanto, quem fica
E nem se quer sabia da dor
Cai em desolação,
Recai-lhe a culpa
Pelo julgamento.
A escolha do próximo
Abre ferozes feridas
Na mente de quem fica,
Fica procurando entender
O que foi que aconteceu,
Quais os motivos?
Por que não conversaram?
Todos os porquês!!
Vive juntando os pedaços
Daquilo que um dia foi,
Tentando encontrar
Motivos para viver.
A sociedade culpa
Quem vive próximo
Pelo fatídico suicídio.
Resta entender
De uma vez pra sempre,
Sem conhecer
Não é possível compreender.
Depressão é doença
Deve-se esclarecer,
Esclarecer a todos
Em todos os lugares.
Do contrário esta chaga
Não deixará de crescer
Pois, onde um perece
Muitos padecem de sofrer.
Conhecer para ver
Conhecer para intervir
Conhecer para apoiar
Conhecer para não julgar
Conhecer para não condenar
Conhecer para que este mal
Deixe a vida em paz!!
Eliane Virtuoso Cardoso
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